Relatório Virtual

PROJETO DE REVITALIZAÇÃO
DO ACERVO - MUNESPI

Projeto realizado através do SISPROFICE,

da Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura -

Governo Estadual do Paraná, com o apoio da Copel -

Companhia Paranaense de Energia.

DIAGNÓSTICO DE CONSERVAÇÃO

O diagnóstico de conservação avaliou a caracterização do entorno, dos
espaços, do acervo, do público, para trazer subsídios para a gestão de riscos
da Reserva Técnica do MUNESPI. Discutindo práticas de conservação com base nas recomendações estabelecidas na área da ciência da conservação, nacionais e internacionais, tais como o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o Conselho Internacional de Museus – Comitê De Conservação (ICOM-CC), o International Centre for the Study of the Preservation and Restoration of Cultural Property (ICROMM) e o Canadian Conservation Institute (CCI), para o embasamento das medidas de conservação.

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Visão externa da Reserva Técnica do Munespi.

O acervo não está exposto, mas armazenado em Reserva Técnica (RT),
exclusivamente destinada para esta finalidade, em edificação independente, próxima ao espaço expositivo do museu. É uma casa construída em madeira e alvenaria, a princípio para fins domiciliares, adquirida pela instituição mantenedora do museu no final dos

anos de 1980.

Foi, inclusive, sede do MUNESPI entre os anos de 1990 a 2011

Pela vulnerabilidade do tipo construtivo e indícios de cupim, constatamos o risco de infestação biológica, além do fato de que na região (bairro) onde está localizada a edificação, há inúmeros casos de infestação por cupim de madeira seca. Cabe destacar que este tipo de agente de degradação são responsáveis por grandes estragos em acervos cuja a estrutura seja celulose, como papéis, telas, madeira, têxteis e outros. A temperatura (Tº C) ideal para este tipo de inseto é 26º C a 30º C e umidade relativa (UT%) entre 97% a 100%.

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Lâmpada utilizada na Reserva Técnica.

Quanto a iluminação, são utilizadas lâmpadas fluorescentes, compacta e tubular, em todas as salas. Este tipo de lâmpada emite radiações ultra violeta, altamente danosa para acervos de origem orgânica, uma vez que ao incidir na superfície dos materiais, a radiação penetra nas estruturas dos materiais e é absorvida pelas
moléculas, desencadeando fenômenos de degradação no interior da estrutura molecular. Essa absorção de energia desencadeia várias reações químicas, todas prejudiciais ao papel, têxteis, couro, policromias em metal ou madeira etc.


Uma das principais reações fotoquímicas é a oxidação, descoloração, amarelecimento ou escurecimento do papel; enfraquecimento e enrijecimento das fibras da celulose; A ação de degradação pela ação da luz é irreversível. Por isso, foi recomendada a colocação de filtros nas lâmpadas compactas e calhas leitosas com filtros UV nas tubulares e janelas.

De acordo com as recomendações do Canadian Conservation Institute
publicadas na Notas del ICC 1/1 de 1999, segundo ICC com a UR inferior a 65% e certa circulação de ar é pouco provável a ativação de microrganismos. Já a temperatura é recomendável mantê-la abaixo de 25º C. O ICC também recomenda a observação das coleções, principalmente se a UR estiver elevada; isolar da área os objetos com infestação ativa; eliminar as fontes de umidade; evitar a entrada de novas colônias ativas; evitar armazenamento próximo a parede externa; elevar armários do chão; manter a área limpa; orientar o pessoal da limpeza sobre os procedimentos adequados; renovar o ar em dias
mais secos, com umidade externa mais baixa que a interna, manter os índices mais estáveis. A característica do Clima de Curitiba são as variações diárias, então, recomendou-se o investimento em acondicionamento, uma das barreiras de proteção do acervo.

Os documentos estão armazenados em armários verticais e mapotecas de aço. O acondicionamento foi realizado em pastas de poliondas nas cores cinza, branco e transparente.

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Novo acondicionamento.

No que diz respeito ao acondicionamento é recomendado avaliar:

a natureza do documento; o tipo de suporte; o estado de conservação; as condições de uso; o manuseio; e, o armazenamento para, então, definir o acondicionamento. O acondicionamento é abarreira mais próxima do documento, deve ser considerada a estabilidade e compatibilidade dos materiais.

Materiais básicos para acondicionamento: papéis e cartões neutros ou alcalinos de variadas gramaturas; filmes de poliéster; adesivo pH neutro; tiras ou cadarços de algodão; tecido de linho; tela nylon; velcro; placas ou pastas de poliondas.

As peças em parafina foram acondicionadas em caixas de isopor. Este
tipo de material mantém estáveis as condições internas da caixa. Para as peças que necessitarem, recomendou-se a confecção de um berço de apoio.

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Novo acondicionamento.

O acervo documental compreende material bibliográfico, arquivístico, pinturas de cavalete e objetos tridimensionais.

Foram elaboradas fichas técnicas de diagnóstico com campos específicos para: documentos, livros, fotografias e objetos que deverão ser preenchidos nas atividades de conservação, assegurando a organização pré-existente; uma vez que o acervo do MUNESPI está em processo de catalogação e organização.

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Novo acondicionamento.

No que diz respeito ao acondicionamento é recomendado avaliar:

a natureza do documento; o tipo de suporte; o estado de conservação; as condições de uso; o manuseio; e, o armazenamento para, então, definir o acondicionamento. O acondicionamento é abarreira mais próxima do documento, deve ser considerada a estabilidade e compatibilidade dos materiais.

Materiais básicos para acondicionamento: Papéis e cartões neutros ou alcalinos de variadas gramaturas; Filmes de poliéster; Adesivo pH neutro; Tiras ou cadarços de algodão; tecido de linho; tela nylon; Velcro; placas ou pastas de poliondas.

As figuras ao lado são exemplos de algum tipo de degradação observado no acervo durante o processo de diagnóstico.

São documentos que tem relevância histórica para o Paraná, por serem referentes à figuras importantes na história do estado, como o médico de Paranaguá Dr. Leocádio José Correia, o professor e fundador da Universidade Federal do Paraná Dr. Victor Ferreira do Amaral, a professora Julia Wanderley, o médico Dr. Erasto Gaertner, e o fundador da primeira farmácia do estado Augusto Stelfeld.

NOVOS ACONDICIONAMENTOS

Novo acondicionamento.

DESTAQUES DO ACERVO MUNESPI

Relatório Virtual

SEMINÁRIO
"CONSERVAÇÃO PARTICIPATIVA"

Por fim, foi realizado o evento “Conservação Participativa” na perspectiva de uma museologia biófila, tema da palestra da professora, museóloga e conservadora Silmara Küster. Biofilia, o amor apaixonado pela vida foi descrita pelo psicanalista Erich Fromm (1964), pelos biólogos Edward Wilson (1984) e Stefen Kellert (1993). Na palestra a professora ampliou o conceito de museologia no que concernem as funções do museu “conservação, comunicação e pesquisa”, com vistas a uma ação participativa em consonância com aspectos da biofilia.

 

Nesse contexto, expandiu a ideia da biofilia para a museologia biófila, destacou o pensamento museal apresentado pelo professor Maury Rodrigues da Cruz, “o Currículo do Museu é a vida”, publicado na obra Museu Reflexões (1993) e na concepção do museólogo Mário Chagas no que diz respeito a museus biófilos e museus necrófilos (2011), enfatizando que “uma museologia que não serve para a vida, não serve para nada”.

Abaixo, veja fotos do evento, que foi aberto ao público e realizado no próprio Munespi.

Ficha Técnica:

Projeto realizado através do SISPROFICE,

da Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura -

Governo Estadual do Paraná, com o apoio da Copel -

Companhia Paranaense de Energia.